Lambe-lambe na cidade é grafismo
A cidade fala, e sua voz está impressa nas paredes, postes e tapumes. O lambe-lambe é sua linguagem secreta, sua rebeldia colada em camadas de papel e cola caseira. Quem anda atento pelas ruas reconhece essa tinta urbana que não escorre das latas, mas adere às superfícies como um grito visual.
A técnica do lambe-lambe é simples e poderosa. Mistura-se farinha, água e um toque de insistência para criar uma cola que fixa ideias ao concreto. Os cartazes, impressos ou desenhados à mão, são espalhados pela cidade como sementes de pensamento. Cada um deles desafia a monotonia do cinza urbano e convida o transeunte a refletir.
O lambe-lambe é um ato de insurgência visual. Ele subverte a publicidade invasiva e dá espaço para outras narrativas. Pode ser poético, político, estético ou tudo isso ao mesmo tempo. É uma arte efêmera, sujeita à chuva, ao tempo e ao olhar atento de quem passa.
A cidade é um caderno em branco esperando para ser preenchido. Com cola e papel, escrevemos nas entrelinhas do concreto, mostrando que a tinta da cidade é a cola que une ideias, protestos e expressões.